• Guilherme Pelizza

BIM: produto, tecnologia ou processo?

Esta é a lição mais importante que aprendi trabalhando com BIM até agora e acredito que possa ser boa para quem busca ou já está trabalhando em BIM


Trabalhando no mercado há pelo menos 6 anos com BIM, tenho observado um fenômeno interessante, do qual inclusive fiz parte: empresas de engenharia que vendem BIM como solução ou produto.


Lembro muito bem de quando fundamos a Integra Construção Inteligente em 2014, como estávamos fascinados com a facilidade de entendimento de projeto e execução de serviços ligados à gestão da construção que os softwares BIM traziam consigo. Na época, mesmo recém formados, mas já com algumas experiências profissionais, tínhamos certeza que o BIM iria revolucionar uma série de processos na construção.


Estávamos certos. Nos colocamos no mercado oferecendo serviços de modelagem, quantificação e clash detection. Tínhamos conhecimento das ferramentas e o compromisso genuíno com nossos clientes e nossa proposta. Mas não tínhamos ainda a bagagem técnica, processos estruturados ou experiência de protocolo, projeto e obra necessária para coordenar um processo de projeto utilizando BIM.



O cenário BIM no Brasil


Fazendo uma breve pausa no nosso case, para abrir um parênteses de onde o Brasil se encontra hoje, no que tange à adoção do BIM.


O fato é que ele não só é um caminho sem volta, mas hoje o BIM já pode ser considerado realidade no mercado brasileiro, muito embora ainda tenha muito a evoluir em termos de processos.


Entretanto, vejo muito no mercado atual empresas que vendem os Ms da sigla “BIM” (Modelagens ou Modelos), não necessariamente resultantes de um processo bem estruturado que potencializa os resultados de um time de engenheiros, arquitetos e empreendedores.


Quando falo sobre Informação, não falo necessariamente sobre um modelo com diversos parâmetros alimentados com informações sobre os elementos, mas sobre um modelo que é resultado de muita discussão e análise.


Análises de otimização de projeto e de alinhamento com métodos construtivos. Que seja utilizado para simulações de alternativas de projeto e esteja inserido num processo de engenharia.



BIM deve ir além do modelo 3D


Como já citado no nosso post sobre integração entre engenheiros e arquitetos, gosto muito do conceito do “Coletâneas GUIAS BIM” da Associação Brasileira de Desenvolvimento Industrial (ABDI) que definie BIM como:


BIM é um conjunto de pessoas, processos e tecnologias. (ABDI)

Processos são resultado de uma organização e um planejamento eficiente e orientado ao resultado, e dependente diretamente de pessoas com diferentes aptidões, alocadas nas funções corretas e com uma capacidade cada vez mais fundamental: comunicação.


As tecnologias são papel de empresas de software, que aí sim tem como objetivo comercializar novas funcionalidades e naturalmente precisam estar alinhadas com as necessidades do mercado.


Entretanto, é importante pontuar que sim, empresas de engenharia hoje também vendem tecnologia, porque softwares como Dynamo, permitem que empresas de engenharia criem funcionalidades novas e personalizadas para desenvolverem seus produtos, o que acaba se tornando um diferencial de cada empresa.


Cada vez mais entendo a importância destes 2 primeiros fatores: processos e pessoas. BIM não é um produto, é uma metodologia que permite a engenheiros, arquitetos, construtoras e incorporadoras façam uma série de análises e tomadas de decisões com base em dados confiáveis.


Ou seja, o BIM organiza a informação da construção e permite que os profissionais da indústria da construção civil gastem cada vez menos tempo na elaboração de desenhos e cada vez mais colocando em prática o conhecimento técnico que têm.


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BIM como processo de integração entre pessoas (Fonte: Wikimedia)


A grande lição: Posicionando o BIM


Hoje sou BIM Manager na Première Engenharia, que trabalha com elaboração e também coordenação de projetos de engenharia. Quando questionado sobre posicionamento de mercado e concorrência, sempre cito que duas empresas que oferecem projetos em BIM não estão oferecendo a mesma solução.


Portanto, o aprendizado que tiro é que a solução verdadeira não é o BIM em si, a solução é a engenharia aplicada e a forma como a empresa se organiza para utilizar o BIM de forma a potencializar a qualidade de seu trabalho.


Nesse sentido falamos de tecnologias, processos, e principalmente do desempenho profissional das pessoas ali envolvidas. A equipe faz toda a diferença sobre o produto oferecido. Além disso, a relação de compromisso e respeito com os clientes é fundamental.

E você, o que tem visto da maneira como a metodologia tem sido comercializada e o que acha a respeito? Conte-nos sua visão!


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